30 maio 2010

Tático

Ensaio notas, rotas, promessas
Perco-me em imensas calçadas solitárias
Caminhando, criando espécie gentil
Quando ele chega de leve
Sem preocupação, sem afeto
Quase desprezo a céu aberto
Estremece meu peito delicado, machucado
Sei que a nada pertence, nada quer
Nada, ninguém, porém
Como em pisadas falsas
Confunde meus passos
E retorno a caminhar, e caminhar
Para o lado errado.


16 maio 2010

Olê, Olá...

Ando sem muita criatividade, acho que falta é tempo para deixá-la me fazer uma visita.
Vamos de Chico Buarque...

"(...)Não chore ainda não, que eu tenho uma razão
Pra você não chorar
Amiga, me perdoa, se eu insisto à toa
Mas a vida é boa para quem cantar
Meu pinho, toca forte que é pra todo mundo acordar
Não fale da vida, nem fale da morte
Tem dó da menina, não deixa chorar
Olê, olê, olê, olá
Tem samba de sobra, quem sabe sambar
Que entre na roda, que mostre o gingado
Mas muito cuidado, não vale chorar(...)"

08 maio 2010

Sem pressão não há diamante.

Depois de tanto tempo senti novamente vontade de postar alguma coisa. Lembrei que o blog andava desatualizado já por algum tempo... e de certa forma, bastante tempo. A graduação está sugando minhas forças cada vez mais, tanto que mesmo estudando bastante ainda me são disponibilizadas algumas patadas. É tensa a situação. Espero que ano que vem seja um pouco mais light (com a disciplinas, porque ainda tem o tcc).
Na realidade, nem acredito que ano que vem me formo (se tudo der certo) como Física. Nossa, começou como um desafio e tornou-se um grande sonho de vida. Não posso negar que todo dia é uma grande batalha, mas acho que isso é o que motiva a continuar... saber que independente de tudo, é uma maneira de levar a vida. Ser Física.
Acho que por hoje é só... prova de quântica 1 segunda.
Hora de estudar :)

30 março 2010

28 março 2010

Jeremias

- Jeremias, jeremias! Pra cá, menino... – gritou uma senhora. Ela mordeu os lábios impaciente, com as mãos nos quadris, olhando de um lado para outro.

Dona Francisca era uma boa senhora. Há algumas semanas, havia se mudado para Rua Arejada, casa de número cento e dois. Vivia apenas na companhia de seu gato Jeremias. Era frequente vê-la caminhando durante as manhãs à procura dele. Dizem as más línguas que ela enxergava no gato seu falecido marido, também, Jeremias. Embora dona Francisca não tivesse feito muitos amigos nas redondezas, resolveu convidar todos os vizinhos para comemorar o aniversário do seu gato. Como se não fosse suficiente, encomendou um bolo de ração para Jeremias e acendeu sete velas. Cochichos, próximos aos portões da casa de número cento e dois, julgavam que esta não era somente uma atitude estranha. Outros termos conferiam uma anormalidade àquela casa. A ausência de visitas, possíveis filhos ou netos, igualmente, fortalecia os boatos.
Jeremias não era feio. Na realidade, tinha uma aparência engraçada, pomposa, um verdadeiro Persa de pêlo curto. Os excessivos cuidados, dengos, escovações diárias, tornaram o gato um tanto rechonchudo. O pobre mal conseguia correr por muito tempo, ou saltar grandes distâncias. Se existisse uma categoria para enquadrar os gatos obesos, certamente, ele seria. Entretanto, isso não incomodava dona Francisca. Para ela, quanto mais “gordinho” ele estivesse, mais feliz aparentava.

- Que diabos! Aquela senhora já está gritando mais uma vez... – resmungou um homem levantando-se da cama com dificuldade. - E ainda são sete da manhã!

- Já falamos sobre isso. Não precisa perder tempo indo reclamar com ela. – respondeu uma mulher próxima ao homem. Ela permanecia deitada com o antebraço direito sobre os olhos, impedindo que a luz do sol, já aparente, os atingisse.

- Não compreendo como você consegue ser tão paciente. Essa mulher louca e seu gato são quase um despertador adiantado. – disse o homem ao se levantar para abrir as cortinas da varanda. Do lado das casas ímpares da Rua Arejada, ele podia enxergar dona Francisca agoniada. – Qualquer dia desses, esse gato ainda vai fazê-la enfartar!

- Bata na sua boca. Deixe-os em paz e volte para cama. – falou a mulher em tom sério, revirando o corpo de bruços, com a cabeça na direção oposta a iluminação vinda da varanda aberta.

Igor e Eleonora Rodrigues, os vizinhos frontais da dona Francisca, residiam na casa de número cento e três. Foram os primeiros a conhecê-la, completando recentemente cerca de cinco semanas. Eleonora, sempre muito simpática, quis desejar boas vindas. Sua melhor amiga, Patrícia Alencar, trabalhava como corretora de imóveis. Desse modo, era de fundamental importância que os novos moradores se sentissem bem acolhidos pela vizinhança.

19 março 2010

Hiatus.

Vou tirar "férias", ou dar um tempo (como queiram), de algumas coisas...

16 março 2010

Adeus

- Existe uma linha delgada que separa os minutos antecedentes a parada respiratória e o apagar das luzes.
- Não...

Alberto desligou o telefone. Entrou rapidamente no carro, como quem busca refúgio. Com os olhos fixos no horizonte, sua noção de tempo foi congelada, e por alguns minutos permaneceu estático. Deparar-se com a morte de um ente querido é engolir as memórias reviradas. Não há retorno para sinais que cessaram.

Sem ruídos, ou movimento, a rua mal-iluminada pela noite escura era um mero cenário, dentro de um contexto desastroso. Ninguém, absolutamente ninguém, poderia ajudá-lo. Evidentemente, ele precisaria de um ombro amigo por alguns dias, meses ou, talvez, anos. Mas, mesmo que um amontoado de pessoas o visitasse, constantemente, seria praticamente impossível desligá-lo de si. Quando fossem embora, as noites seriam sempre as mesmas, a mensagem de terça-feira, os resmungos de sábado.

Quem sou?

Tem dias que eu queria nunca ter parado de escrever. Quando eu vejo meu blog inativo for tanto tempo eu penso o quão distante eu estive de m...