22 agosto 2009

Entrelaçado

Amélia fofoca com Ofélia
Desdenhando da Cornélia
Que um dia famosa se fez enfim.

Conhece Joana
Que com um ar de americana
Prende os cabelos como Mariana
A vendedora de cetim.

Filha de Tomé
que estudou com seu José
Quando ainda eram do jardim.

No interior tudo é mesmo entrelaçado assim.

Desmatiza o Laço

Cor branca gélida que adormece em meus pensamentos
Leva o rosa suave que trouxe contentamentos
Abriga-me em tons pastéis de calmaria
Por mais que eu possa me arrepender um dia
Suma com as cores
Esquecerei o que são as amargas dores
Iniba o vermelho denso do estouro
Pois nem o amarelo ouro
Poderia custear uma azul lembrança vivida
Ou uma cinza solidão sentida
Nesta negra noite que enfrento entristecida

21 agosto 2009

"Relatos de uma viagem inesquecível"

As pessoas costumam marcar suas viagens com horários bem definidos de modo que haja o maior conforto possível e que não interfira em suas atividades cotidianas, as chamadas “férias”. Sempre planejei muito bem cada passo meu, porém nada poderia ser mais imprevista do que essa viagem que irei relatar. Muitas pessoas teriam desistido antes de começar, eu também poderia, é claro, se soubesse o que estava por vir.
Não sei exatamente onde e como tudo começou, só sei que quando acordei estava dentro de um navio aparentemente deserto. E era um navio mesmo! Encontrei-me perdida no interior de uma cabine fechada, aquilo por um instante parecia ser tudo. Entre quatro paredes nada demais pude enxergar além de alguns belos quadros. Eram belos mesmo e de certa forma confusos, difícil de compreender, uma linguagem desconhecida que em um primeiro momento eu não soube definir.
Confesso que permanecer dentro daquela cabine me deixava confusa, mas pensar em sair dela me assustava mais ainda. Por vezes me senti uma criança indefesa precisando de alguém para segurar a minha mão e me ajudar a enfrentar o ambiente desconhecido que estaria por trás da porta. Decidi então permanecer alguns dias dentro da cabine, criando coragem para sair, e ao mesmo tempo tentando compreender o motivo da minha estadia ali.
Transformei a cabine em pouco tempo em um lugar confiável, agradável e onde eu poderia expor meus pensamentos mais profundos. Tentei ser discreta, sem fazer muito barulho, afinal até o exato momento eu não sabia se havia alguém além de mim por perto. Por mais eu precisasse também de alguém para conversar, não me sentia segura.
Conforme os dias iam passando, pude notar uma pequena modificação nos quadros, que na realidade só fui questionar após deixar o local, já que passar muito tempo sozinha pode deixar a pessoa um tanto atordoada. Enfim, não posso reclamar do tempo que passei dentro da cabine, pois foi de fundamental importância para adquirir a coragem que me seria necessária posteriormente.
Durante esses primeiros dias não pensem que eu fiquei sentada assistindo o tempo passar pelos meus olhos, de vez em quando eu tentava “brechar” pela porta. E uma coisa eu pude saber com antecedência: a temperatura do ambiente lá fora era maior, não chamaria de “quente” porque poderia soar “desagradável”, talvez de confortável ou aconchegante, acho que uma dessas duas palavras se aproximam mais da realidade.
Ainda hoje sinto o aperto no peito, o suor frio, a rápida respiração e o medo de quando eu finalmente abri a porta da cabine. Foi uma intensa mistura de sensações, devo ressaltar que foi uma experiência jamais vivida antes e que por isso deixou uma marca bastante forte na minha memória. O alívio de estar do outro lado trouxe consigo também o receio de me perder pelo caminho e não poder mais voltar.
Uma coisa era certa naquele momento: eu devia seguir em frente. E foi o que eu fiz nos dias seguintes...

O início

O blog "Sem pedágios" foi criado com o intuito de divulgar alguns textos meus e discutir coisas diversas que possam surgir...

Prazer, autora do blog.
- 18 anos, estudante de Física, admiradora de cores e palavras.

De dentro

Erupção... ERUPÇÃO erupção, erupção, erupção explosão Explosão... de dentro atravessa a pele mancha, mancha, mancha manifestação ...