28 março 2012

Dias cinzentos



Ela despertou com dificuldade ao observar que as nuvens cinzentas encobriam o sol. Embora tivesse chovido a madrugada inteira, não havia indícios de que fosse cessar tão cedo. Eram quase nove horas da manhã, entretanto, pela falta de expressividade do dia, se não houvesse um despertador por perto ela julgaria que ainda eram seis ou seis e meia. “Dia triste”, pensou consigo. Deixou a cama após conferir o horário e caminhou em passos leves até a geladeira. Foi em busca de algum biscoito para adocicar sua boca amarga e repor a falta de glicose. Já era um costume rotineiro pôr algo doce na boca antes de preparar o café da manhã. Pegou algumas torradas, pôs sobre elas um pedaço de queijo prato e colocou-as no micro-ondas. Enquanto preparava o café, sua mente processava lembranças tristes. O dia anterior não tinha sido dos melhores e os próximos também não prometiam divertimento ou distração.

Ainda que a saudade apertasse, não queria voltar atrás em sua decisão, sua racionalidade não permitiria. Voltar, arrepender-se do caminho tomado, não mudaria a situação, apenas amenizaria temporariamente uma sensação de solidão já presenciada. Novamente, os pensamentos confusos reapareceriam e a solução seria fugir de todo o conflito. Isto é, a história precisaria ser finalizada e ponto final. Ou então, a água continuaria a derramar-se sobre suas mãos como costumava acontecer... Os periódicos dias cinzentos.

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