11 dezembro 2011

Modo automático

Os olhos dela oscilantes acediam e apagavam durante as horas agoniantes da madrugada. Constantes quedas de energia dentro de seu próprio sistema nervoso. Talvez fosse o anseio inconsciente de que numa dessas quedas, algumas partes bem singulares de sua memória queimassem. Quando ela acordou de vez, o tempo já era irrelevante, formado por ponteiros desconexos. Ela poderia passar horas humanas com os olhos fixos na parede branca e sentir apenas como um profundo segundo que havia congelado. Embora seus batimentos ainda fossem frequentes, naquele corpo não havia vida. Não havia indícios da existência de alguém lá dentro. Como um relógio, suas engrenagens funcionavam, os tic-tacs eram audíveis, entretanto, tudo fazia parte de uma estrutura programada para efetuar algumas funções específicas. Se isso fosse a vida a que todos se referem, todas as máquinas seriam comparáveis a algumas pessoas que ela conhecia. 

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